Essa coisa de ter muita energia pra gastar já me fez ter alguns dissabores na noite Curitiba....
Porque não basta trabalhar 10 horas por dia, ter pós graduação, pegar projetos por fora, costurar e ter uma banda...claro que não basta, eu preciso também praticar esportes !
Então pra quem não sabe, toda quinta feira a noite tem uma galera que anda de bicicleta por Curitiba, saindo do Largo da Ordem às 20h30, sob a guarda da Diretram. E eu sempre vou, sozinha ou acompanhada.
Mas a pós graduação me tira o tempo dos esportes e, por causa das aulas, fiquei um longo tempo sem ir e com isso perdi a “pernada” que eu tinha. Pois bem...uma bela quinta feira dessas eu saio do trabalho animadíssima, chego em casa, e no maior estilo “tirei a bicicleta da garagem” fui calibrar os pneus no posto.
Eu sou uma mulher independente, daquelas que tem sempre na ponta da língua “faço tudo o que um homem faz de salto alto”, fui eu mesma calibrar os pneus. Aí começou o fiasco. Eu regulava a quantidade de ar e antes que eu conseguisse chegar no bico do pneu a bomba disparava e eu ficava me debatendo com a mangueira serpenteando como uma cobra cega (e eu não tinha habilidade necessária para controlá-la). Tentei umas 3 vezes sozinha até que veio a frentista (com dó) e ajudou. Nesse trabalho de dupla (mas não sem dificuldades também), consegui encher os pneus. Senti um olhar de emoção da frentista (eu sempre abasteço lá, sou figura conhecida), me desejando sorte na pedalada.
Muito feliz montada na bicicleta, fui avançando vigorosamente pelas ruas. Força daqui, força dali, de repente começo a sentir a bicicleta mais pesada que o costume. Bem, “costume” não é a palavra que eu posso colocar aqui. Daí chego em uma rua plana, e percebo que ora subo, ora desço. Ora subo, ora desço. Olho pros pneus e eles parecem redondos pra mim. Mas as aparências enganam, já diziam todas as nossas avós, os pneus estão ovais !
Eu não tinha nem chego até o centro e já estava com câimbra. Aliás, eu não tinha ultrapassado o bairro ao lado do meu. Estava fazendo o dobro de força necessária, e com câimbra.
Aí eu quis dar uma de Xena a Princesa Guerreira, ser valente e ir em frente. Não só por mim, pela moça do posto. Pela noite maravilhosa que estava, pelo espírito do night biker e por todos os milhares (tenho certeza que foram milhares) de kilômetros que um dia eu tive juventude o suficiente pra pedalar.
E de repente tudo ficou muito claro pra mim:
1) Eu tenho quase 30 anos e está na hora de eu começar a me comportar como tal.
2) Como uma mulher de quase 30 anos eu preciso de uma bicicleta que represente isso.
3) Os excessos da juventude acabaram pra mim.
Desisti de chegar ao centro. Do roteiro previsto praquela noite, das pessoas fervilhantes que estariam lá. Pedalei sozinha em umas ruasinhas pequenas e arborizadas não muito longe da onde moro. Daquelas com luzes amareladas que saem de luminárias verdes e guaritas na frente de todas as casas chiques que estão por lá. Tenho certeza que dentro de cada guarita devia ter um segurança passando rádio pra todos os outros com o alerta “mulher suspeita de 50 quilos pedalando sem destino”.
Voltei pra casa, com meus pneus ovais, jurando que no dia seguinte iria ao Cicles Jaime ver quais modelos atendem as necessidades de uma mulher de 30 anos.
A próxima vez eu vou ao night bikers de moto.
Um comentário:
Muito boa essa história hein??
Vc podia escrever um livro "princesa guerreira"(rs) Carol, vc não existe!!
Beijos gata!!
Lumanson
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