Eu odeio salão de beleza. Nunca consegui ir a um e me sentir bem lá dentro. Odeio aquelas conversas de mulhersinha, aquelas revistas, aquele cheiro. Principalmente o cheiro de spray pra cabelos, algo inconfundível, que só um salão brasileiro tem.
Mas o que complica é que eu sou vaidosa. E esse meu ódio me levou a ser independente e autodidata para suprir minhas vaidades. Faz 2 anos eu comprei uma navalha pra cortar os meus cabelos. Não que eu faça cortes retilíneos. Mas o que me ajuda é sem dúvida a moda dos cortes assimétricos que, espero eu, demore a passar.
Mas assim como, no mesmo dia em que eu disse que deveriam pintar faixas amarelas sinalizantes nas duas apagadas lombadas do caminho do meu trabalho (e as lombadas apareceram pintadas), eu odiar salão de beleza me fez ficar com uma sobrancelha igual ao do Jader Barbalho e ter mãos de lavradora.
A gente paga com a boca né?
Então, eu tive que me render. O cabelo assimétrico vá lá. Meu cabelo cresce igual xuxu na serra. Então mesmo que eu corte errado, em duas semanas, ele brota novamente. Mas as unhas eu não consigo deixar com aquela cara de “fiz no salão”. Eu só usava cor de mulhersinha, porque os defeitos apareciam menos. Mas cor de mulhersinha não combina comigo. A sobrancelha de Jader Barbalho (ou Claudio Ohana, tanto faz a cafonice)também não.
Pra largar essa vida de baranga, eu tive que me render. Tive que freqüentar salões. Tenho lido mais a revista Contigo do que a Bravo! Eu confesso. Confesso também que eu já tentei usar óculos pra parecer intelectual. Só não usei porque o médico disse que eu não estava errando as letras certas. Mas eu adoro Almodovar e literatura russa desde meus 14 anos. Hitchcock desde meus 16. Sei citar vários filmes que atores como Jhonny Deep e diretores como Tim Burton fizeram. Sei também vários livros e autores importantes. Então, eu ainda consigo me garantir em certos ciclos.
Mas voltando a problemática da retórica feminina na sociedade do espetáculo, eu estou pra conhecer um homem que entenda uma mulher. Mas entenda a fundo mesmo. Que consiga relacionar o universo feminino com o que acontece na moda e no futebol, na política e na novela, que consiga responder verdadeiramente o porquê uma mulher come dois X salada com 1 coca light. Porque acho que não deve existir mais nada que seja exclusivamente “para homens” ou “para mulheres” (com exceção, talvez, do banheiro). E confesso que prefiro assim. Confesso (acho que agora que eu tenho quase 30, tudo bem se eu admitir certas coisas né?) que eu adoro um homem bonita. E adoro uma mulher bonito. Assim como a falta de concordância, a mistura de gêneros me agrada.
Acabei de contar 46 linhas. Acho que deu o post.
2 comentários:
E adoro um homem bonita... enfim, estou sentindo um pezinho na bissexualidade, amiga!
Já consigo imaginar vc casadinha com um garoto com alma feminina, que vai abaixar a tampa do vaso e terá medo de matar aranhas...
Ir ao salão definitivamente não é nem um pouco "erriquecedor", porém sempre acreditei que aquele papo de se estiver na grecia aja como um grego uma bobagem...
acredito que as pessoas fazem seu próprio ambiente, e acredito que essa seja a beleza da singularidade das pessoas. Ainda que eu ande pelo vale das sombras...
x)
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