sábado, 25 de junho de 2011

Personagens da literatura - Roupas

Adoro encontrar descrições do vestuário das personagens nos livros que eu leio. Sempre me chama a atenção e me dá uma sensação diferente. Tudo começou há 5 anos, com a seguinte passagem no livro "O casaco de Marx", de Peter Stallybrass:

"Se eu vestia a jaqueta, Allon me vestia. Ele estava lá nos puimentos do cotovelo, puimentos
que no jargão técnico da costura são chamados de “memória”. Ele estava lá nas manchas que estavam na parte inferior da jaqueta; ele estava lá no cheiro das axilas. Acima de tudo, ele estava lá no cheiro."


Desde então eu vim separando todos os trechos de roupas na literatura que me chamaram a atenção, e agora vou dividir com vocês.

"Perambulei pelos cabarés deprimentes da Curtis Street; garotos em jeans e camisas vermelhas; cascas de amendoim, marquises de cinema, estandes de tiro ao alvo."
Jack Kerouak, On the road, p. 64

"Roy Johnson e eu caminhamos na garoa; fui à casa da namorada de Eddie recuperar minha camisa de flanela xadrez, aquela de Shelton, Nebraska. Ela estava lá, cheia de nós, toda a imensa tristeza de uma camisa."
Jack Kerouak, On the road, p. 65

"Usava um chapéu grande e negro, como as asas estendidas de um corvo, e um casaco de veludo patinado pelo limo dos séculos" Gabriel Garcia Marquez, 100 anos de Solidão, p.07

"sua aparênciaseria até impressionante se nao fosse o modo geral desmazelado, imundo e orripilante. Vestia como roupa de estar em casa à vontade, uma usada sobrecasaca que além de mostrar o forro puído tinha os cotovelos esburacados. Nos recintos fechados ele fedia um pouco a vodca, mas os seus modos eram teatrais e solenes. Traía um cioso desejo de ostentar dignidade." Dostoiévsky, O idiota, p.103"

"Peguei aquele objeto amarrotado em minhas mãos, muito a contra gosto. Era um chapéu comum; preto, de feltro, redondo e muito usado. O forro era de seda vermelha, mas estava muito desbotado. Não havia etiqueta de fabricante, mas, como Holmes observara, as iniciais H.B estavam rabiscadas no forro. O chapéu estava perfurado, na aba, para utilização de um prendedor, mas não havia sinal do elástico. De resto, estava rachado, coberto de pó e manchado em diversos locais. Seu dono tentara cobrir alguns pontos desbotados com tinta preta" Conan Doyle, Sherlock Holmes - O roubo da coroa de berilos, p. 09

"Sua magestade envergava um magnífico uniforme militar, rígido, com rendas douradas e bordados, enquanto sua cabeça raspada se escondia debaixo de um enorme chapéu de três bicos,  que ostentava ondeantes plumas de avestruz" Herman Melville, Taipi, p. 19

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