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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Glamour tarja preta

Aposto que todo mundo vai meio que se identificar com este texto.


Porque é assim: quarta-feira, conversando com uma das minhas amigas F.F.F (Fofa, foda e favorita) ela me sai com a seguinte (e maravilhosa) frase - com potencial de jargão: glamour tarja preta.


Glamour tarja preta é o que a gente encontra muito facilmente nos anos 2000: hiperatividade, bipolaridade, anorexia, bulimia, síndrome do pânico, depressão e etc e tal. Dá-lhe Rivotril, Aiprazolam, Relaxil. Dá-lhe.


E eu estou aqui pra falar que: puta que o paril, que saco heim. Qual é a de vocês ? Além de todo mundo ter que trabalhar, conviver com crise financeira, trânsito, assalto, filas, contas a pagar, gripe do porco, ausência de crédito no celular e saldo na conta bancária, ainda têm vocês. Vocês que se acham mais sensíveis e, talvez por isso, acham que sentem as dores do nosso tempo com mais intensidade do que os demais. Vocês que sem a menor cerimônia (e constrangimento) agem conforme manda o seu umbigo e dane-se se por acaso, machucar quem estier do lado. Afinal, são bipolares.


Quem não conhece uma galera assim ? Já fiz a pergunta colocando uma "galera", porque uma pessoa é pouco.


Tá certo que a tendência é a tarja preta (eu ainda prefiro a faixa preta). Tá certo que a hipermodernidade e a exposição que as novas mídias nos dão fizeram com que todos esses transtornos deixassem de ser íntimos. Tá certo. Mas tá um saco.


Eu acredito mesmo que a vida passa rápido, que a gente se estressa muito e que pessoas que queiram viver são poucas. São raras. Fico muito "deprimida" quando sinto que estou vivendo bem menos que eu gostaria, porque as pessoas ao meu redor estão mais concentradas nas suas tarjas pretas do que na vida. Me irrita muito quando eu só quero me divertir e topo com gente que sofre por opção. Ou usa essas desculpas esfarrapadas pra usar sua sensibilidade de hipopótamo grávido (e com cãimbra) pra justificar suas atitudes centradas no seu bel prazer.


Enfim, glamour tarja preta é o que comanda atualmente. E se vocês quiserem ler um texto realmente decente sobre o tema, escrito por uma escritora de verdade, acessem o blog da minha amiga F.F.F, Vanessa Rodrigues: www.meusecadornaofunciona.wordpress.com .

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Há menos beleza num salão de beleza

Eu odeio salão de beleza. Nunca consegui ir a um e me sentir bem lá dentro. Odeio aquelas conversas de mulhersinha, aquelas revistas, aquele cheiro. Principalmente o cheiro de spray pra cabelos, algo inconfundível, que só um salão brasileiro tem.

Mas o que complica é que eu sou vaidosa. E esse meu ódio me levou a ser independente e autodidata para suprir minhas vaidades. Faz 2 anos eu comprei uma navalha pra cortar os meus cabelos. Não que eu faça cortes retilíneos. Mas o que me ajuda é sem dúvida a moda dos cortes assimétricos que, espero eu, demore a passar.

Mas assim como, no mesmo dia em que eu disse que deveriam pintar faixas amarelas sinalizantes nas duas apagadas lombadas do caminho do meu trabalho (e as lombadas apareceram pintadas), eu odiar salão de beleza me fez ficar com uma sobrancelha igual ao do Jader Barbalho e ter mãos de lavradora.

A gente paga com a boca né?

Então, eu tive que me render. O cabelo assimétrico vá lá. Meu cabelo cresce igual xuxu na serra. Então mesmo que eu corte errado, em duas semanas, ele brota novamente. Mas as unhas eu não consigo deixar com aquela cara de “fiz no salão”. Eu só usava cor de mulhersinha, porque os defeitos apareciam menos. Mas cor de mulhersinha não combina comigo. A sobrancelha de Jader Barbalho (ou Claudio Ohana, tanto faz a cafonice)também não.

Pra largar essa vida de baranga, eu tive que me render. Tive que freqüentar salões. Tenho lido mais a revista Contigo do que a Bravo! Eu confesso. Confesso também que eu já tentei usar óculos pra parecer intelectual. Só não usei porque o médico disse que eu não estava errando as letras certas. Mas eu adoro Almodovar e literatura russa desde meus 14 anos. Hitchcock desde meus 16. Sei citar vários filmes que atores como Jhonny Deep e diretores como Tim Burton fizeram. Sei também vários livros e autores importantes. Então, eu ainda consigo me garantir em certos ciclos.

Mas voltando a problemática da retórica feminina na sociedade do espetáculo, eu estou pra conhecer um homem que entenda uma mulher. Mas entenda a fundo mesmo. Que consiga relacionar o universo feminino com o que acontece na moda e no futebol, na política e na novela, que consiga responder verdadeiramente o porquê uma mulher come dois X salada com 1 coca light. Porque acho que não deve existir mais nada que seja exclusivamente “para homens” ou “para mulheres” (com exceção, talvez, do banheiro). E confesso que prefiro assim. Confesso (acho que agora que eu tenho quase 30, tudo bem se eu admitir certas coisas né?) que eu adoro um homem bonita. E adoro uma mulher bonito. Assim como a falta de concordância, a mistura de gêneros me agrada.

Acabei de contar 46 linhas. Acho que deu o post.

terça-feira, 28 de julho de 2009

.pele.

Inseguranças / incertezas
nossos corpos pele e cabelo para reformar disfarçar, esconder
nossa ótica irreal
aparências homogenias, marcas tão iguais

Aumente o seu pênis e aplique o seu botox, silicone nos seus seios não há nada original
está tudo tão igual todo molde é vendido e copiado
eu provei e aprovei vou passar no crediário

As tuas roupas, tão legais, costuradas por escravos, de (pele) amarela e olhos puxados.
quantas peças você tem ? pessoas falidas na sua via os cabides e as medidas ?

Me adicione no orkut para todo mundo saber o perfil que você tem tem, que pessoas você anda, que ibope você vê. youtube dita agora o novo hit de verão, clique aqui para acessar, comentar e enviar o último post da edição

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cleycianne

Eu juro que queria atualizar o blog com um texto falando sobre minhas mais deliciosas mudanças de vida...

Mas não pude agüentar. Desde que conheci o blog da Cleycianne, uma serva do Senhor no mundo da internet, http://cleycianne.blogspot.com/, não consegui parar de ler. É hilário !!!

Há quem diga que é tudo verdade, eu duvido. Os comentários também são ótimos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mídia

Uma das minhas melhores amigas está em uma comunidade do Orkut que se chama “pavor de gente descolada”. Eu entrei também. Mas essa mesma amiga me mandou um mp3 de uma banda que ganhou o WMB da MTV no ano passado.

Por aqui, eu ando interessada em um Colóquio Internacional de Assuntos Feministas, que vai acontecer em maio (Floripa). Mas também viciei em um blog chamado papelpop.com. Leiam, é divertidíssimo !! Acidamente divertido...

Voltando a falar de coisas chatas que não interessam a ninguém, eu comecei a pensar esses dias, o valor de uma ação (e as suas oscilações) deve ser o mesmo que o Ibope pra um programa. O programa com 39 pontos no Ibope (cada ponto vale 52,3 mil televisões ligadas, em São Paulo), tem aproximadamente 2 milhões de pessoas que compõem audiência bruta. Sim, porque uma TV registra um ponto, mas pode estar ligada em um bar, com 20 neguinhos assistindo. Ou numa casa com 3 pessoas. Então, ações são a audiência da bolsa de valores.

Estou gostando muito das coisas que tenho aprendido ultimamente. Pra quem até 1 ano atrás não sabia a diferença entre conta corrente e conta poupança, já sei o que é uma renda fixa. Pós e Pré Fixada, entre outras cositchas más que vou aprender. Pra quem até 2 meses atrás procurava letra do Ramones na Internet, eu li pela primeira vez no Wikipédia sobre o Warren Buffet, o maior investidor do mundo. Eu não troquei o mp3 player pela CBN ainda (calma, muito cedo pra virar adulta), mas que eu tenho acompanhado o volume financeiro do Ibovespa e as cotações das ações, isso eu tenho...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Incógnitas

Sempre gostei daquelas pessoas indecifráveis. Que estão com o olhar além do horizonte, com o pensamento na velocidade de um meteoro, que estão entre nós mas não junto conosco.

Gosto de pessoas que parece que têm um cadáver escondido no armário, como diz a Ailin Aleixo. As que tem segredos. Que são o oposto de tudo o que é considerado normal, ou cool. Pessoas que “quebram” o molde dos meus pensamentos.

Gosto de gente que me dá medo de chegar perto, que parecem que estão sempre indo. Partindo muito mais do que chegando. Partindo sabe elas mesmas pra onde. Gosto de pessoas que parecem que não precisam buscar nada. Que abrem a boca quando querem, e não pra provar alguma coisa. Pra testar ou ser testado. Gente que faz da idéia mais estapafúrdia uma opção totalmente válida e coerente pro momentos delas mesmas, que é único.

O que me deixa intrigada é o que me motiva. A dúvida bem acompanhada é muito melhor companhia que a certeza insossa.Pessoas indecifráveis, indisponíveis...arrogantes até certo ponto. Como se tivessem vindo de outro planeta, e aqui estão, morrendo de tédio.Pessoas que eu nunca entendi muito bem são as que nunca esqueci também. Que mostram o que querem mas escondem a verdade do que são.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Seu corpo, sua marca

Plásticas, luzes ou lentes podem ser reproduzidas em qualquer corpo...músculos torneados, cabelos pintados...até tatuagem pode ser copiada.

Autenticidade.

Customização radical, o corpo e suas marcas como invólucro único, puro.....marcas e suas histórias, intensidades boas e ruins que não podem ser copiadas por qualquer idiota. O caminho das veias na pele branca, o asfalto liso

E cicatriz é uma marca de IDENTIDADE.

Vínculo comigo mesma. Com o que a minha história significa pra mim.

Amo todas as minhas cicatrizes.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tempo em fatias

Eu nunca tive relógio na minha vida. Também nunca fui muito atenta ao meu celular. Muito disso se deve ao fato de, aos 22 anos, eu ter emprestado meu livro maravilhoso “Toda a Mafalda” para um amigo meu, e ele, me emprestou o não menos maravilhoso “Histórias de cronópios” . Nem eu nem ele nunca devolvemos nossos livros...e no história de cronópios tem uma passagem maravilhosaaaaa sobre o porquê que nunca consegui usar um relógio na minha vida:

Quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você -eles não sabem, o terrí­vel é que eles não sabem - dão a você um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrinas das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perde-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.

Mas o caso é que eu tava rolando pelo mercado municipal e me deparei com um relógio bonito e grande que parece aqueles de estações rodoviárias de antigamente. Foi amor a primeira vista e eu decidi levá-lo pra casa comigo. Mas o melhor não é a função de bater as horas. O melhor dele é primeiro a função estética de combinar com a minha pequena lamparina (sim, minha casa tem um quê de velho oeste), e em segundo, gente, até me emociona: o relógio faz tique – taque. Daí que é perfeito pra minha cabeça e raciocínio de baterista. O tique taque parece um metrônomo. Eu fico imaginando pratadas, bumbadas e viradas entre um tique e um taque. Essa fatia de tempo me parece um quebra cabeça, de onde eu vou encaixar o que. E eu fico imaginando e sei que os ritmos que se formam na minha cabeça são perfeitamente executáveis. E eu sou daquelas bateristas que não sabe ler muita partitura (na verdade não sei ler é nada), então eu toco o que minha imaginação transmite. E por isso esse relógio foi perfeito pra mim, pro momento que estou agora.

O momento sublime de sentar na bateria e descer o braço, e martelá-la tanto que as vezes eu sinto que estou mandando uns trovões iluminados nos meus dias de tédio.

Então eu justamente venho aqui fazer um apelo: eu preciso de uma banda. Pode ser de qualquer coisa, desde que seja rock. Rock em todas as suas variáveis e vertentes. Rock de corpo e alma. E peso. E veloz. Mais veloz do que peso talvez. E mais alma do que corpo também. Mais essência do que aparência por favor. E pra todos que dizem que eu não tenho tamanho suficiente pra tocar bateria, respondo com o mesmo slogan do Fox (aquele carro da Fiat) “pequena por fora, gigante por dentro”.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

On the Road

Quando eu tinha 19 anos eu li o Apanhador nos campos de centeio, do J.D. Salinger. Lí em 2 dias, mas reli o livro outras 8 vezes depois. Ele conta a história de um menino revoltado e entediado que é expulso do colégio e fica vagando pelas ruas de Nova York antes de voltar pra casa. Mas a melhor coisa do livro é a irmã dele, a Phoebe Caulfield, que eu uso inclusive de nick no blog (mas já foi no mIRC e em chats de bate papo que hoje eu não tenho mais o menor saco pra freqüentar). É claro que me falta aquele vocabulário típico de crítica literária (que eu não sou) e um certo conhecimento de psicologia (que eu queria ter, verbo no futuro do pretérito) pra explicar o porquê eu gosto tanto da menina, mas eu acho que é porque ela é phoda. Simples assim.

Então quando eu li esse livro eu fiquei absurdamente louca pra viajar por aí. E pra piorar tudo, eu trabalhava em uma livraria, onde podia ler mil livros de graça e era ótimo porque eu podia dividir o meu tempo entre o trabalho, os livros e (melhor não falar). Daí que eu juntei o meu salário de uns 5 meses e fui pra rodoviária. E ainda bem que eu adoro viajar de ônibus, porque pobre do jeito que eu sou não daria pra andar de avião. Fiquei 1 mês mochilando pelo Brasil, em cidades que eu nunca mais voltei. Mas até hoje, eu sei que não devemos refazer viagens ao passado e tal, mas eu queria refazer o trajeto entre Vitória e Salvador.

Claro que eu sempre escrevo um monte de coisas antes pra chegar no ponto que eu queria chegar. Em 2008 eu virei o ano lendo Pé da Estrada do Jack Kerouac. E como não podia deixar de ser, me apaixonei pelo livro, pelo autor e desde então estou lendo tudo e procurando tudo a respeito dele. E eu reli o livro de novo (e emprestei pra uma amiga só porque eu tenho ele em pdf, quem quiser eu mando), e acho a coisa mais arrebatadora e inebriante que alguém possa ter escrito. E se o livro do Salinger teve um efeito sobre mim, imaginem o que acontecerá com Pé na Estrada né...


Então, como daqui a pouco será 2009, e eu quero um ano fervidíssimo, fiquem com uma (apenas uma) das apaixonantes frases do livro (deve tar logo no começo, página 11 ou 12, dependendo da edição):


Mas, nessa época, eles dançavam pelas ruas
como piões frenéticos, e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício, explodindo como constelações em cujo centro fervilhante — pop — pode-se ver um brilho azul e
intenso até que todos “aaaaaaah!”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cafés, cartas e tatuagens

Eu adoro, adoro escrever cartas.
Esse hábito começou na fase áurea dos zines de papel. Quando eu escrevia o “Querido Diário” e me correspondia com outros zineiros do resto do Brasil. Brasil não, eu lembro que tinha correspondentes em Portugal também.

Essa época dos zines era muito, mas muiiiito legal....e eu fazia miséria com cola, papel, caneta e tesoura. Claro que eu uso computador...mas usava para imitar a fonte de máquina de escrever. E eu xerocava tudo e fazia flyers divulgando o meu zine...e quando eu escrevei pros meus correspondentes eles me mandavam flyers de outros zines e bandas também. Então todo o mundo divulgava todo mundo e escrevia pra todo mundo e era ótimo.
Minha paixão pelas cartas começou nessa época, final da década de 90. Onde todos os meus amigos ou tinham uma banda, ou faziam um zine, ou eram vegetarianos, ou punk, ou straigh edge, ou tudo isso junto.

Pra começar que receber uma carta tem infinitamente mais graça do que receber um e-mail. Mas muito mais. Claro que depende muito de quem escreve também. Eu adoro reparar na caligrafia das pessoas, adoro letras gordinhas e grandes, que ocupam quase todo o espaço entre as linhas. Gosto das pessoas que escrevem em cadernos pautados mas que as letras na colam nas linhas. Gosto muito das que não escrevem em papeis pautados. Eu sempre usava envelopes diferentes também. Recortava propagandas de revista e jornal e dobrava, fazendo um envelope. Daí fazia uma etiqueta branca com o destinatário e o remetente. Daí um dia, fuçando num sebo, eu achei uma revista em quadrinhos japonesa. Comprei e, como eu não leio em japonês eu uso pra fazer envelopes e papel de presentes. Quase todos os meus amigos já ganharam presentes meus embalados pelas folhas essa revista.

Essa folia de zines e correspondentes durou uns 5 anos. Hoje quem escrevia um zine faz um blog. Ou nem faz mais nada. Eu guardei uma porção de cartas dessa época, que quando eu tenho uma fase nostálgica eu lanço Mao das cartas.

A minha correspondente preferida sempre foi e sempre será a Drica, de Maringá. A menina mais fofa foda que existe. Ela faz uns marcadores de livro tão perfeitos, e escreve umas cartas tão deliciosamente saborosas de se ler. Saborosas no sentido literal, pois ela volta e meia me enviava dentro do envelope um saquinho de chá, um sache de capuccino, e assim vai. Fitas e CDs também já trocamos aos montes. Uma vez fiz uns papéis reciclados e mandei pra ela. Ela me devolveu em forma de 2 marcadores lindos. A Drica é a única que eu guardei todas as cartas, desde a primeira. Um dia eu vou tirar o tempo de xerocar todas e mandar de volta pra ela ler. Gosto de imaginar as reações dela lendo tudo o que já escreveu pra mim.

Minha paixão pelas cartas se estendeu pelo mundo postal. Hoje eu penso em fazer uma tatuagem que será um envelope e um carimbo daqueles bem estilosos que os correios põe por cima dos selos. Já tenho uns 5 carimbos diferentes para escolher, hehehehe. O envelope é mais fácil. Tenho adoração também por aquele malote dos correios. Um amigo meu tem um desses (que ele usa bravamente para transportar nobres e importantes cervejas) e um dia vou pedir emprestado e tirar o molde pra fazer uma bolsa do formato “malote correios” pra mim. Teve uma época que eu quis aquela camisa amarela dos carteiros, mas passou. Afinal, aonde eu iria usar ?

Hoje é difícil encontrar correspondentes que sejam desapegados da internet e apegados aos correios. Eu mesma só conheço a Dricalinda. Às vezes eu até me aproveito de algumas situações pra exercer esse meu lado a moda antiga. Uma amiga minha esqueceu a carteira durante a viagem dela e eu mandei por correio, com uma cartinha dentro. Outra amiga precisa (leram né, “precisa”) de um show que eu tenho em DVD. Vou me oferecer pra mandar por correio (e de quebra ganhar a escrita de uma carta), se ela não me achar esquisita demais. Ou pensando bem, se me achar, melhor ainda.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Confissões

Eu tenho uma memória elefantesca. Isso significa que eu lembro de detalhes do parquinho do meu primeiro colégio aos 2 anos de idade. Lembro nomes e sobrenomes de pessoas que estudaram comigo, que saíram comigo ou que eu só falei uma vez na vida. Mas isso é até engraçado, porque se você fez um curso de teatro em 97, eu me lembro de você. Se te encontrei na balada e nos falamos rapidamente, eu também me lembro. Até se nem conversamos e eu só fiquei observando (sou do modelo observativa de pessoa). Mesmo que eu estivesse bêbada (o pior é que lembro de todos os meus fiascos também). Lembro dos diálogos e detalhes dos seus amigos e família. Mas claro que isso sou eu, apenas eu. Daí eu cumprimento as pessoas, como se elas fossem lembrar, mas elas não lembram. Depois de passar várias vezes por maluca, eu percebi que consigo ser imperceptível na vida de alguns. De vários alguns aliás.

Muitas pessoas pensam que eu sou inteligente, mas eu não sou. Eu engano muito bem, porque como eu gosto muito de ler, eu vou seguindo pelos livros memorizando frases e parágrafos e depois recontando-os como se fossem meus. As vezes tem histórias de amigos meus que eu reconto como se fossem minhas, porque elas são boas demais, e eu queria que tivesse acontecido comigo. Daí as pessoas acham que sou eu falando, mas não sou. É um autor que nunca ninguém ouviu falar, mas só uma nerds como eu conhece.

Falar em nerdices, eu resolvi admitir algumas coisas. Até a 8ª série eu sempre passei no 3º bimestre. Eu jamais aprendi a jogar truco na faculdade (mas xadrez sim), e só comecei a freqüentar assiduamente o laboratório 5 (o bar) quando estava no último ano. Eu tenho a carteirinha da biblioteca pública desde os 9 anos de idade. Tenho também do Farol do Saber. Era sócia do clube da ciência e tenho um microscópio que meus pais me deram até hoje.

O problema é que a minha nerdice não tem nenhum talento pra ganhar dinheiro. Aliás, eu nunca vi alguém gostar tanto de coisas que não rendem nada. O que adianta saber jogar xadrez ? Tocar piano ? Nada ! Se ao menos eu fosse uma nerds que gostasse de informática, TI e essas coisas, mas não. Eu sou uma mané, só sei mexer em programas de edição de imagem. Uma amiga minha até hoje costuma me avisar de novos vírus que mandam pra gente por internet pra eu não clicar.

Minha nerdice é daquelas de gostar de coisas inúteis que ninguém mais gosta: Formatações. Bibliotecas. Quebra cabeças de mil peças. Selos. Carimbos de correio. E coisas mais pomposas como o papel da mulher na sociedade contemporânea, a mídia e as artes no pós humano, a semiótica das roupas. A influência das formigas nas rachaduras das calçadas. Nada a ver com nada.

Acho que deve ser por isso que quando eu saio com as pessoas elas não conversam muito comigo. Ou ficam embasbacadas com a minha falsa erudição (hohohoho) ou, bem mais provável, acham que eu sou daquelas pentelhas com opiniões jornalísticas sobre tudo que não percebe quando a galera só quer tomar cerveja e falar merda. Uma grandessíssima mala.

Para combinar com minha veia nerds, eu sempre quis usar óculos. Já escolhi inclusive umas 3 armações diferentes (e não é daqueles com aros grossos não, óbvio demais, são armações clássicas dos nerds). Mas o caso é que eu enchergo muito bem. Uma vez eu tentei pegar um meio grau, um 0,25 que seja. Fui num oftalmologista e errei umas coisas leves, de propósito. Mas o Dr. Disse que eu não iria enganá-lo, que eu não estava errando as coisas que uma pessoa com deficiência erraria. Depois eu não tentei mais.

Agora eu estou numa fase meio escritora Junguiana. Confundo psicologia com conselhos de cobrador de ônibus. Adoro ouvir os problemas alheios e dar pitacos com frases decoradas dos livros do Jung. E até que alguém me diga o contrário, eu juro que estou abafando.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bicicletas

Essa coisa de ter muita energia pra gastar já me fez ter alguns dissabores na noite Curitiba....

Porque não basta trabalhar 10 horas por dia, ter pós graduação, pegar projetos por fora, costurar e ter uma banda...claro que não basta, eu preciso também praticar esportes !


Então pra quem não sabe, toda quinta feira a noite tem uma galera que anda de bicicleta por Curitiba, saindo do Largo da Ordem às 20h30, sob a guarda da Diretram. E eu sempre vou, sozinha ou acompanhada.

Mas a pós graduação me tira o tempo dos esportes e, por causa das aulas, fiquei um longo tempo sem ir e com isso perdi a “pernada” que eu tinha. Pois bem...uma bela quinta feira dessas eu saio do trabalho animadíssima, chego em casa, e no maior estilo “tirei a bicicleta da garagem” fui calibrar os pneus no posto.

Eu sou uma mulher independente, daquelas que tem sempre na ponta da língua “faço tudo o que um homem faz de salto alto”, fui eu mesma calibrar os pneus. Aí começou o fiasco. Eu regulava a quantidade de ar e antes que eu conseguisse chegar no bico do pneu a bomba disparava e eu ficava me debatendo com a mangueira serpenteando como uma cobra cega (e eu não tinha habilidade necessária para controlá-la). Tentei umas 3 vezes sozinha até que veio a frentista (com dó) e ajudou. Nesse trabalho de dupla (mas não sem dificuldades também), consegui encher os pneus. Senti um olhar de emoção da frentista (eu sempre abasteço lá, sou figura conhecida), me desejando sorte na pedalada.

Muito feliz montada na bicicleta, fui avançando vigorosamente pelas ruas. Força daqui, força dali, de repente começo a sentir a bicicleta mais pesada que o costume. Bem, “costume” não é a palavra que eu posso colocar aqui. Daí chego em uma rua plana, e percebo que ora subo, ora desço. Ora subo, ora desço. Olho pros pneus e eles parecem redondos pra mim. Mas as aparências enganam, já diziam todas as nossas avós, os pneus estão ovais !

Eu não tinha nem chego até o centro e já estava com câimbra. Aliás, eu não tinha ultrapassado o bairro ao lado do meu. Estava fazendo o dobro de força necessária, e com câimbra.

Aí eu quis dar uma de Xena a Princesa Guerreira, ser valente e ir em frente. Não só por mim, pela moça do posto. Pela noite maravilhosa que estava, pelo espírito do night biker e por todos os milhares (tenho certeza que foram milhares) de kilômetros que um dia eu tive juventude o suficiente pra pedalar.

E de repente tudo ficou muito claro pra mim:

1) Eu tenho quase 30 anos e está na hora de eu começar a me comportar como tal.
2) Como uma mulher de quase 30 anos eu preciso de uma bicicleta que represente isso.
3) Os excessos da juventude acabaram pra mim.

Desisti de chegar ao centro. Do roteiro previsto praquela noite, das pessoas fervilhantes que estariam lá. Pedalei sozinha em umas ruasinhas pequenas e arborizadas não muito longe da onde moro. Daquelas com luzes amareladas que saem de luminárias verdes e guaritas na frente de todas as casas chiques que estão por lá. Tenho certeza que dentro de cada guarita devia ter um segurança passando rádio pra todos os outros com o alerta “mulher suspeita de 50 quilos pedalando sem destino”.

Voltei pra casa, com meus pneus ovais, jurando que no dia seguinte iria ao Cicles Jaime ver quais modelos atendem as necessidades de uma mulher de 30 anos.

A próxima vez eu vou ao night bikers de moto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Um brinde a patinação

Pratique esportes e ganhe saúde.

Duvide da frase acima e entenda o porquê lendo as frases abaixo.

O esporte pode te levar a lugares nunca espontaneamente freqüentados.

Sexta feira estava uma noite linda e quente. Não que seja primavera, mas como até as estações andam indefinidas ultimamente, as árvores tem flores brotando e algumas (em puberdade precoce) com flores já abertas e exalando um perfume de primavera. E eu pensava: pra onde vou depois daqui com certeza não terei patinadas como esta.

Cheguei em casa depois do trabalho e troquei as rodinhas do meu patins (é incrível, certos hobbies são mais caros que outros, as rodinhas do patins são mais caras pra trocar que os pneus da moto =/) e ele ficou perfeito, pronto pra me levar pelo asfalto que eu quisesse.

Acontece que no meio da minha linda patinada, fui passar por uma casa meio abandonada meio favela (achei que tivesse realmente abandonada mas não, moram "pessoas" lá), e de lá de dentro dois cachorros bem vira latas correndo e latindo a toda. Como eu sempre passo lá e esses cachorros sempre latem por tudo e por nada, não deu bola. Mas ou eles estavam com fome ou eu estou muito gostosa, porque um deles me deu uma bela mordida, rasgou minha calça preferida de patinação e ainda conseguiu me derrubar no chão. E daí tudo ficou uma merda....cadê meu MP3 ? Cadê meu celular ? Cachorro filha da puuutaaaaaaa...tomara que morra com o meu veneno.

Mas não, ele não morreu.

E eu tive que ir pra um posto de saúde, às 23 horas de uma sexta feira. Sabem o que isso signifca ? Eu espero que não, mas eu vou contar aqui: quando você é mordido por cachorro, cobra, aranha e etc e tal, nem adianta ir pra um hospital particular. Eles vão te atender, limpar o ferimento e te cobrar a consulta, mas a vacina tem que ser em postos de saúde. E sexta feira (já me falaram que sábado também) é o dia que a galera tira pra entrar em coma alcoólico, apanhar na rua, bater o carro e etc, uma beleza.

Cheguei no posto, fiz cadastro e ninguém perguntou se era grave ou se tava doendo (afinal, se eu estava de pé e andando não devia ser grave né). E espere alí nos bancos porque médico só tinha um (pra atender umas 50 pessoas mais ou menos). Fui esperar perto do lugar de curativos e, de dentro de uma salinha saiu uma velha louca e uma mulher gorda de bigode, que estavam esperando um bebum tomar glicose. A velha veio perguntando mil coisas e eu querendo ficar quieta na minha. Daí a gorda de bigode veio olhar a ferida, a velha também. Até o bêbado deitado na maca se esforçou pra levantar a cabeça e olhar. Daí todos que passavam olhavam também. E eu comecei a pensar "tudo isso por uma mordida mixuruca, imagina o congresso que esse povo ia fazer se chegasse alguém quebrado de moto).

Apesar de ter demorado eu fui muito bem atendida e o médico fez o curativo e tomei a porra da vacina anti rábica (que serão 5 malditas doses), pq se eu não tomar, e o cachorro tiver raiva, eu posso pegar e morrer, e agora eu não estou a fim. Mas o problema não é tomar a vacina, e sim ir ao posto de saúde.

Hoje eu já tive que tomar a segunda dose. Fui num outro posto de saúde, mais perto da minha casa, que não é daqueles 24 horas. Uns 10 minutos pra mulher entender que eu moro na mesma rua do posto e que ela tinha sim que me dar a vacina (pq ela já tava me encaminhado pra porra de outro lugar pq não sei como meu cadastro lá estava num bairro 30 kilometros distante da onde eu moro). Resolvido o problema protocolar e surge o problema humano: a enfermeira aplicou vacina pra rubéola (que eu já tinha tomado) e não a anti - rábica.

Bom não ?

Fiquei pensando na dificuldade que é olhar o prontuário a vacina certa. Ou na carteirinha de vacinação que seja. Enfim. Vacina dada não se olha a agulha ? Resignada falei: "então você pode por gentileza aplicar a vacina certa no outro braço ?".

Ainda tenho mais 3 doses pra tomar. Obrigatoriamente em postos de saúde. No dia da mordida o médico não achava o CID no computador, e ele me disse "só estou achando mordida de crocodilo..." e eu respondi "por mim, pode ser, se você colocar essa eu digo que estava caminhando no Barigui". Acho que humor negro ainda será a minha especialidade, se um dia eu chegar a ser engraçada.

E que nenhum cachorro atrapalhe a semana de vocês

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Tirando a teia de aranha

Não consegui dormir essa última noite.

E toda vez que isso acontece eu começo a ler. Sempre gostei muito de ler, e isso me ajuda a enfrentar as recentes noites de insônia (que não são muitas, só acontecem em ocasiões “especiais”).

Uma dessas noites eu peguei a Lispector para me fazer companhia. Um grande erro. Ler “Perto do Coração Selvagem” é pedir pra ter insônia. Uma escritora aguda, daquelas que machucam a alma às vezes. Mordem e depois assopram. Péssima idéia.

Daí semana passada eu comprei “Noites Brancas”, do Dostoiévski, por 8 pilas aliás (sempre bom avisar né). Em duas noites de insônia acabei com o livro, pq ele é fininho e pequenininho...a história é ótima, um pouco fantasmagórica na minha opinião. Inclusive, como é um livro de bolso, eu deixei ele na minha bolsa por umas 3 semanas. Aproveitava as filas onde eu estivesse (bancos principalmente) e dava a minhas folheadas. Acontece que eu comprei um batom marrom vampiro muito vagabundo, que também andava na bolsa pra cima e pra baixo comigo. E eu não vi que tinha saído a tampinha, e o refil do batom ganhou liberdade dentro da bolsa. Assim ela ficou inteira marrom, e o “Noites Brancas” também. Irônico.

Mas eu estou contando tudo isso pra falar sobre ontem na verdade. Foi aniversário do meu melhor amigo e, assim sendo, fomos todos comer pizza e tomar vinho. E já dizem os antigos: não dê chance ao azar. Não que eu tenha enchido a cara nem nada, mas com certeza seria reprovada no bafômetro da blitz que estava instalado na rua mais insuspeita que eu ia atravessar pra chegar em casa. Ainda bem que deu tempo de mudar a rota antes de ser pega e multada. Mas isso não foi nada, porque a duas quadras da blitz aconteceu um mega acidente. Não que eu tenha parado pra ver, nem fodendo. Mas tinha bombeiro, Siate, polícia e uns 50 desocupados que com certeza deviam estar em tédio existencial pra ver a desgraça alheia às 11 horas da noite num frio de 8 graus. Só que o power acidente aconteceu na rua que primeiro: eu sempre uso pra vir trabalhar e segundo: era a minha rota de fuga da blitz.

Voltei pra casa com aquela sensação de que “podia ter sido comigo”. E eu amo aquela rua. Amo. Ela é estreitinha, daquelas que passam um só carro por vez, tem um monte de árvores floridas, árvores frutíferas e é paralela ao trilho de trem.

Voltei por umas ruas escuras e sem charme nenhum. Impressionadíssima com o acidente e temendo alguma outra blits. Resultado ? Às 3h33 da manhã eu estava na página 53 de “Senhora”, do José de Alencar. Foi a última vez que olhei no relógio, logo depois adormeci. Queria dizer pra galera, Rivotril não é nada ! José de Alencar é o que há !

Sinto que achei o meu autor pras noites de insônia. Acho que ele devia ser daqueles caras que usavam ceroulas e penteavam o bigode com pentes de plástico marrom de R$ 1.00. Ninguém, na literatura mundial, consegue ser mais chato do que ele. Três páginas descrevendo um guarda roupas. Como diz uma amiga minha, “meu pai querido.....”

Esses dias eu achei lá em casa um “Iracema”, edição 1972, com as páginas em cor amarelo gema de ovo escuro, intacto. Deve ter sido dos meus pais. Daqui a pouco eu vou sair pra almoçar e procurar “O Guarani” em algum sebo. “Lucíola” também vale. Do jeito que minhas noites andam insones, eu posso precisar de uma dose cavalar. Melhor me precaver.



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Loja de conveniência

Juro que eu tenho menos pena de quem tem esses transtornos repetitivos, bipolares e etc do que aquelas pessoas que não conseguem sair de casa sem fazer chapinha no cabelo, passar quilos de maquiagem, ou besuntar o cabelo de gel, espremer os peitos dentro de uma blusinha "PP" e a bunda em uma calça 36, e agir 24 horas por dia como se estivesse em uma vitrine.

Tenho muito menos pena (na verdade, não tenho pena nenhuma) de quem fica feliz curtindo o sábado a noite em casa (na sua própria companhia) do que quem faz questão de sair, pagar deizão de estacionamento, 30 reais pra entrar na balada (depois de ficar 1 hora na fila), ouvir umas cantadas medíocres e voltar pra casa sentindo como se tivesse abalado a vida noturna da cidade.

Juro que tenho também muito mais admiração por aquelas pessoas que traçam um sandubão com coca cola (gorda, nada light. Coca cola gorda) sem culpa do que aqueles seres prostrados que contam calorias e marcam os pontos de tudo o que comem se esforçando pra fechar o zíper e entrar nos padrões.

Muito melhor encontrar uma pessoa que sabe perder e recomeçar, que sabe esperar o tempo passar, as situações se digerirem do que alguém que engata relacionamento atrás de relacionamento, com medo de sentir solidão por não estar acompanhado. Ou ainda pior, perder a deliciosa sensação da solidão com alguém que não te faz companhia de fato.

Adoro ver na rua alguém com os cabelos bagunçados, tênis furado, roupas mal ajambradas e quem sabe gastas pelo tempo de uso. Adoro ver porque eu sei que ainda existem pessoas que não se enquadram nas vitrines programadas dos shoppings antenados nas tendências que não têm nada a ver com a individualidade (a moda copiada por muitos, vocês sabem).

Adoro, adoro, ADORO encontrar pessoas que são muito mais espertas pra ganhar o seu próprio dinheiro de forma livre e despretensiosa (e com certeza, muito menos tediosa) do que aquelas que têm uma carreira "invejável", uma competência dissimulada e não fazem outra coisa a não ser fazer marketing de uma margarina qualquer e ter que provar o seu lugar em qualquer grupinho de pessoas.
E eu ainda não terminei...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

# Aumente o tamanho do seu pênis ## Elimine sua celulite # # Acabe com quilos extras # # Implante de cabelo ##

Inseguranças e incertezas.....

Como se nossos corpos, pele e cabelos fossem algo que se devesse reformar, disfarçar, esconder. Como se fosse algo grosseiro...

Caos alimentar. Baixa auto estima. Eterna juventude ?

O mais bizarro é que como homens e mulheres estão cada vez mais insatisfeitos com seus corpos e aparências, significa que as falsas promessas da indústria da beleza convencem.

Necessidades homogêneas para aparências uniformes ??

Mais uma cópia do que está na mídia ?
Em busca do ideal esquecemo-nos do que é o REAL ?

Plásticas, luzes ou lentes podem ser reproduzidas em qualquer corpo. Músuculos torneados, cabelos pintados...até tatuagem pode ser copiada.

Mas quem se importa ? Vamos todos superar limites e agregar valor.

...Enquanto parecemos com nós mesmo, SOMOS nós mesmos...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Somos todos consumidores e consumíveis

Você deseja porque sente que se tiver, terá mais do que o produto, terá o que ele representa. Afinal, tudo pode ser vendido. Todas aquelas palavras abstratas (ou intangíveis como diria o marketing) pode ser vendido: Liberdade, amor, importância, consideração. É só olhar campanhas institucionais de qualquer marca. Possuindo você pode ser mais feliz ou mais legal ? Pura merda. Vai ser a mesma pessoas de antes. Só alguns R$ mais pobre. Essa é uma das técnicas. Manter as pessoas sempre desejosas, infelizes....achando que se tiverem isso e aquilo vão estar em um degrau a mais.

E como a vida anda cada vez mais vazia, acaba-se sempre conseguindo. Na fragilidade de emoções tão difíceis de se conviver vira-se presa fácil. O homem é um ser ambíguo, vitima e réu ao mesmo tempo. Ao ver uma Cristina Aguilhera chacoalhando em qualquer clip acelerado deseja-se ter o que ela tem: poder, dinheiro, sucesso. Óbvio, mas o desejo vai além disso: deseja-se o que ela representa, a juventude, a beleza, a admiração que ela obtém (de fãs acéfalos, pode ser uma parte da verdade).

Ter coisas. Fazer e pagar contas. Aparência. Isso engana, mas não salva ninguém do vazio e da ignorância. Apenas é uma forma conivente de se viver. Conivente com o que a sociedade, teus pais, teus vizinhos e teus amigos esperam de você. É apenas concordar sem questionamento com tudo o que lhe chega aos ouvidos, olhos, boca, nariz e sentimentos. Marcas, não produtos, pra você disfarçar e ser quem você não é. “Cultura” da forma que se apresenta, reality shows interativos, programas de auditório, novelas da “vida como ela é”... só servem induzir uma necessidade de “integração”, de saber qual é o “esquema”, uma forma de controle para garantir que até a conversa de bar seja do Big Brother X, a novela Y. Ou você sabe do que se trata ou tenha o que falar. O triste é que mesmo que você veja a “realidade” você olha para os lados e PERCEBE QUE TODO O MUNDO ESTÁ DANÇANDO A MESMA MÚSICA !

Não compre. E também não assista. Com certeza é indispensável a sua vida. Essa vida que você nem sente mais. Que está além da TV, do sofá e das suas paredes. Além da sua solidão. Da sua angústia. Das suas dúvidas. Aliás, dúvidar é muito mais autêntico hoje do que a certeza.

Não ter bens é um sinal de resistência. É pra quem pensa. E pensar, nos dias de hoje, é pra quem sabe que nem todos os dias são ensolarados.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Frutas e verduras - a dieta da estação

Dois vestidos são o seu desejo
E dois fraques sua violência?
Então exponha as suas dores
As paredes onde esconde
Tua euforia... tem quantas cores?
O que parece o teu corte?
Pra quem vai a tua corte?
Pra onde vai a tua sorte?
Quantos amores sem aliança
Quem faz a tua fama?
Quem está na tua cama?
A quem você jura que ama?
O que parece o teu corte?
Pra quem vai a tua corte?
Pra onde vai a tua sorte?
A quem assusta a sua fala
Quantas vezes você se cala
Quem molda o teu gesto
Que moda tem o teu jeito
E o que parece o teu corte?
E pra quem vai a tua corte?
E pra onde vai a tua sorte?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Tá no clima da São Silvestre ?

"... correndo, correndo...até que as pancadas do coração parecem explodir no peito, correr até que a vida do corpo esmague todo conhecimento e todo pensamento, correr buscando e sendo buscado, correr com o gamo que foje, e com os homens que perseguem, correr como a vida pulsante do grande sol e as emanações da primavera, correr com o fluxo da vida..."

.Brumas de Avalom, p. 235 - Livro 01.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

sabor Sukita

Foi inútil o perfume que passei
Foi inútil o banho que eu tomei...

A gente constrói um castelinho de palavras,
que um sopro qualquer embaralha todas as letras...

Olhando fixo pro nada,
Pra nada.
Foi tudo por nada.

A gente se perde enquanto destrói, mas sempre perde o que constrói ?
Tomar um café pra sofrer acordada
Sofrer mais do que estou acostumada...
Sofrer calada... pra não incomodar....
Senta aí então....
vamos desconstruir a nossa dor....

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Vem chegando o verão...

.
.
.
Aprecie no sinaleiro
a dinâmica do picadeiro
economize o seu troco
entre o verde e o vermelho

Escolha ser ecológico
escolha seu preconceito
clique aqui e lute também
pelo seu direito

Embalagem reciclável
pessoas descartáveis
entre cigarros apagados
olhar vermelho, ar viciado

Entre o tamanho dos teus seios
o comprimento do teu pênis
as marcas do teu mundo
consomem o meu tédio

.
.
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domingo, 11 de novembro de 2007

Pensamento da semana

As máscaras da tua pele estão nas amarras das roupas de marcas costuradas por escravos de olhos puxados.

domingo, 4 de novembro de 2007

Dinamite

Balançando nossas almas pela madrugada

Comendo a alma de pedras...

Roendo a vida com os dentes

Mordendo os ossos escalpelados

Como uma matilha faminta por sossego no estômago.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Inauguração


Meu corpo voluptuoso,

tão desejável é tão frágil

Meu rosto tão lindo é muito frágil

Meus olhos são turvos, pesados
Não são limpos

Meus braços arranhados,

cortados. Pesados

Tudo igual

Corpo frágil e desfigurado

Rosto inchado e manchado

O sorriso na hora errada

Sorriso mascarado

Incompreensão, velação

Satisfação, solidão

Opção...opção...opção...

sábado, 11 de agosto de 2007

Olhando atentamente...

Trabalho tem de sobra nesse mundo. O que não tem é emprego.

E quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro.

Nem sempre um emprego é também uma oportunidade...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

...

Hoje eu ví pinturas em 3D feitos por um artista de rua em Veneza, Observei mais de 20 estações de metrô da Rússia, li uma crônica do Mario Quintana e recebi votos de amizade em árabe (muito boa por sinal). Que riqueza a internet nos trouxe !

Existem cores que eu não gosto, mas admiro a intensidade de uma cor que eu que não gosto possui a ponto de me fazer gostar.

Eu queria escrever um livro chamado: “tudo o que uma telemarketing pode fazer com um e-mail e uma planilha de excell”

E eu tenho uma amiga que daria uma excelente personagem

Li um livro maravilhoso hoje de tarde: FUP – Jim Dodge...é a história de um menino que fica órfão e vai morar com o avô que fabrica uísque e uma pata gorda. Eu contando não tem graça nenhuma, mas foi a coisa mais original que eu já li.

Disse que li essa tarde o livro porque baixei o FUP de um site MARAVILHOS: http://sabotagem.revolt.org. Um coletivo contra-cultura que disponibiliza livros fabulosos em pdf. Foi o melhor site que eu descobri esse ano. Melhor até do que aquele site no MSN que diz quem deletou a gente.

Eu realmente tenho idéias maravilhosas para enlaces amorosos. Dariam um outro livro "ótemo".

Tem muitas pessoas que pensam que eu sou inteligente. Mas a verdade é que eu engano muito bem. Tenho uma memória muito boa e consigo decorar parágrafos inteiros dos livros que eu leio.

E eu gosto muito de ler

Pensamentos aleatórios em uma terça feira esquisita...

Engraçado como dias 7 sempre combinam com terças feiras. Eu também acho perfeito quando o dia 12 cai numa quarta feira.

Mas sexta feira é sempre imbatível, não importa que dia ela tenha.

Eu fiz vestibular há quase 10 anos atrás e eu gostaria de esquecer que insetos não têm pigmentos respiratórios (hemoglobina e hemocianina) que os auxiliem em sua respiração.

Certos acontecimentos que marcam a nossa vida mudam a nossa maneira de pensar. Coisas que dávamos tanto valor que quando olhamos bem percebemos que não tem valor algum. Mudança de rota.

Situações, pessoas e coisas que aumentam e diminuem conforme ajustamos o foco.

Um celular novo com câmera fotográfica embutida me custará R$ 399,00. Mas foda-se, eu é que não vou comprar. O que eu quero mesmo é um Ipod.

Normalmente eu acho axé e pagode uma bosta, mas ele tem seu valor quando você precisa limpar a casa ou lavar roupa por exemplo.

Raven é corvo em inglês. E corkscrew é saca rolha.

Uma das coisas mais necessárias de se levar numa viagem pra praia, definitivamente, é uma lanterna. Em alguns casos até muito mais que um biquíni.

Existem palavras que são tão gostosas de falar que dá vontade de falar até quando elas não combinam com a frase. Piola, lapela e código de barras são as que eu mais gosto.

Começa hoje um curso gratuito de maquiagem no Boticário, mas eu não vou. Adoro maquiagem borrada e unhas descascadas.

Também gosto muito de tênis rasgado e cortes de cabelo bagunçados.

Emprestei um óculos de uma amiga minha (inclusive estou pensando seriamente em furtá-lo) que me fez repensar em toda a editoração do meu rosto. Acho que devo começar por um penteado de cabelo diferente.

Não me diga pra fazer o que eu já estava indo fazer, me dá raiva

Eu jamais pagaria 100 reais por um casaco da Adidas por exemplo. Mas eu pagaria cenhão por um casaco que foi produzido por um estilista em começo de carreira.

Marrom é uma cor muito feia. E tem gente que ainda usa junto com cinza.

O sistema é bruto e a vida é um caos, mas o que eu realmente estou preocupada no dia de hoje é que ainda é terça feira, muito longe de sexta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

FALÊNCIA

FALÊNCIA

A falência que encontramos nas pessoas hoje é uma questão muito além da monetária.

Saindo e sentando em bares, ambientes de trabalho, universidades e qualquer outro local de convivência social você percebe que as pessoas estão falidas.

A falência que eu me refiro não é a falta de ter (afinal aparência é quase ter), mas é a falta de ser. SER é quase uma utopia depois das últimas observações que tenho feito. Pessoas perdidas dentro de seus próprios desejos, pessoas que sequer sabem o que desejam. Falam o que já é provado que agradará mas não dizem o que querem. Originalidade zero. Discursos prontos no mesmo formato de seriados mostram que simulação de uma realidade “mais que perfeita” é tão mais atrativa do que a construção de uma vida própria, pautada no real.

Bares esfumaçados, mal cheirosos e com cadeiras balançantes ainda me apetecem muito mais do que casas noturnas com meninas loiras com cabelos esticados e meninos que sabem que só as levarão para casa se tiverem um carro. Bares mal cheirosos estão também cheios de pessoas “originais” de carteirinha. Universitários inebriados pelas suas profissões e recém formados desiludidos que não sabem pra onde mandar seus currículos. Cortes de cabelo de gosto duvidoso e esmalte descascados dão uma certa conformidade que o improvável está aí, que ainda há espaço pra incerto e pro duvidoso se não fosse o fato de que a falência das pessoas também se mostra aí. Pessoas cheias de novos amigos, novos conhecidos, contatos e convites pro mais novo bar da cidade, a mais nova banda e o mais original bazar me parece só uma busca pra consumir entretenimento e padrões de comportamento que mostram o quão vazio todo mundo é de si mesmo e o quanto do mundo externo é preciso pra encher. Encher, encher e encher pra que o pensamento não faça eco no vazio da mente.

A falência das pessoas é notável quando você espera o dia inteiro por um telefonema que não chega, por um abraço frouxo que não se ergue, por um “amigo” que marca hora pra chegar e logo tem que partir da sua casa, por um encontro que você conseguiu e é (mais uma vez) decepcionante.

Você também está falido quando não pensa mais em como atender o seus desejos porque eles dão trabalho demais, ou porque seus amigos te acharão estranho (ou louco) demais.

Você pode decretar a tua falência quando você não cuida do que construiu. Quando nem sequer em construir pensa mais, pegando o atalho do mais fácil e desfilando com modelos pré fabricados que em 2 meses estarão obsoletos na sua vitrine. Quando substitui as pessoas sem ter tentado conquistá-las de verdade. Quando trai por um desejo de ter, quando se esforça pra esconder o que sente ou quando propaga uma modernidade que não tem.

E antes que alguém diga que ninguém está aqui pra suprir minha expectativa eu pergunto: querer encontrar alguém inteligente a ponto de manter uma conversa além das manchetes da Veja e novelas da Globo é esperar demais ?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A ponto de venda

Apenas não ser tocada e desejada

Apenas a solidão do meu sono, que é tão preciso.

Um sono sem sonhos ou devaneios

A solidão de ser uma pedra, ou uma rocha imensa, que de lá não se move e, por si só é o que basta.

Sem desejos amenos, profundos ou plenos.

Sem intenções lascivaz que se desfiguram na realidade.

A dominação da verdade é o que o sono me traz.

Sincero como uma rocha, inscrustada no ápice da montanha.

E inabalável

E arredia

E virgem

Ser uma rocha inteira e só para mim.

Indivisível.

Invencível.

Ser só pra mim.

Indesejável