quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

On the Road

Quando eu tinha 19 anos eu li o Apanhador nos campos de centeio, do J.D. Salinger. Lí em 2 dias, mas reli o livro outras 8 vezes depois. Ele conta a história de um menino revoltado e entediado que é expulso do colégio e fica vagando pelas ruas de Nova York antes de voltar pra casa. Mas a melhor coisa do livro é a irmã dele, a Phoebe Caulfield, que eu uso inclusive de nick no blog (mas já foi no mIRC e em chats de bate papo que hoje eu não tenho mais o menor saco pra freqüentar). É claro que me falta aquele vocabulário típico de crítica literária (que eu não sou) e um certo conhecimento de psicologia (que eu queria ter, verbo no futuro do pretérito) pra explicar o porquê eu gosto tanto da menina, mas eu acho que é porque ela é phoda. Simples assim.

Então quando eu li esse livro eu fiquei absurdamente louca pra viajar por aí. E pra piorar tudo, eu trabalhava em uma livraria, onde podia ler mil livros de graça e era ótimo porque eu podia dividir o meu tempo entre o trabalho, os livros e (melhor não falar). Daí que eu juntei o meu salário de uns 5 meses e fui pra rodoviária. E ainda bem que eu adoro viajar de ônibus, porque pobre do jeito que eu sou não daria pra andar de avião. Fiquei 1 mês mochilando pelo Brasil, em cidades que eu nunca mais voltei. Mas até hoje, eu sei que não devemos refazer viagens ao passado e tal, mas eu queria refazer o trajeto entre Vitória e Salvador.

Claro que eu sempre escrevo um monte de coisas antes pra chegar no ponto que eu queria chegar. Em 2008 eu virei o ano lendo Pé da Estrada do Jack Kerouac. E como não podia deixar de ser, me apaixonei pelo livro, pelo autor e desde então estou lendo tudo e procurando tudo a respeito dele. E eu reli o livro de novo (e emprestei pra uma amiga só porque eu tenho ele em pdf, quem quiser eu mando), e acho a coisa mais arrebatadora e inebriante que alguém possa ter escrito. E se o livro do Salinger teve um efeito sobre mim, imaginem o que acontecerá com Pé na Estrada né...

Então, como daqui a pouco será 2009, e eu quero um ano fervidíssimo, fiquem com uma (apenas uma) das apaixonantes frases do livro (deve tar logo no começo, página 11 ou 12, dependendo da edição):


Mas, nessa época, eles dançavam pelas ruas
como piões frenéticos, e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício, explodindo como constelações em cujo centro fervilhante — pop — pode-se ver um brilho azul e
intenso até que todos “aaaaaaah!”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cafés, cartas e tatuagens

Eu adoro, adoro escrever cartas.
Esse hábito começou na fase áurea dos zines de papel. Quando eu escrevia o “Querido Diário” e me correspondia com outros zineiros do resto do Brasil. Brasil não, eu lembro que tinha correspondentes em Portugal também.

Essa época dos zines era muito, mas muiiiito legal....e eu fazia miséria com cola, papel, caneta e tesoura. Claro que eu uso computador...mas usava para imitar a fonte de máquina de escrever. E eu xerocava tudo e fazia flyers divulgando o meu zine...e quando eu escrevei pros meus correspondentes eles me mandavam flyers de outros zines e bandas também. Então todo o mundo divulgava todo mundo e escrevia pra todo mundo e era ótimo.
Minha paixão pelas cartas começou nessa época, final da década de 90. Onde todos os meus amigos ou tinham uma banda, ou faziam um zine, ou eram vegetarianos, ou punk, ou straigh edge, ou tudo isso junto.

Pra começar que receber uma carta tem infinitamente mais graça do que receber um e-mail. Mas muito mais. Claro que depende muito de quem escreve também. Eu adoro reparar na caligrafia das pessoas, adoro letras gordinhas e grandes, que ocupam quase todo o espaço entre as linhas. Gosto das pessoas que escrevem em cadernos pautados mas que as letras na colam nas linhas. Gosto muito das que não escrevem em papeis pautados. Eu sempre usava envelopes diferentes também. Recortava propagandas de revista e jornal e dobrava, fazendo um envelope. Daí fazia uma etiqueta branca com o destinatário e o remetente. Daí um dia, fuçando num sebo, eu achei uma revista em quadrinhos japonesa. Comprei e, como eu não leio em japonês eu uso pra fazer envelopes e papel de presentes. Quase todos os meus amigos já ganharam presentes meus embalados pelas folhas essa revista.

Essa folia de zines e correspondentes durou uns 5 anos. Hoje quem escrevia um zine faz um blog. Ou nem faz mais nada. Eu guardei uma porção de cartas dessa época, que quando eu tenho uma fase nostálgica eu lanço Mao das cartas.

A minha correspondente preferida sempre foi e sempre será a Drica, de Maringá. A menina mais fofa foda que existe. Ela faz uns marcadores de livro tão perfeitos, e escreve umas cartas tão deliciosamente saborosas de se ler. Saborosas no sentido literal, pois ela volta e meia me enviava dentro do envelope um saquinho de chá, um sache de capuccino, e assim vai. Fitas e CDs também já trocamos aos montes. Uma vez fiz uns papéis reciclados e mandei pra ela. Ela me devolveu em forma de 2 marcadores lindos. A Drica é a única que eu guardei todas as cartas, desde a primeira. Um dia eu vou tirar o tempo de xerocar todas e mandar de volta pra ela ler. Gosto de imaginar as reações dela lendo tudo o que já escreveu pra mim.

Minha paixão pelas cartas se estendeu pelo mundo postal. Hoje eu penso em fazer uma tatuagem que será um envelope e um carimbo daqueles bem estilosos que os correios põe por cima dos selos. Já tenho uns 5 carimbos diferentes para escolher, hehehehe. O envelope é mais fácil. Tenho adoração também por aquele malote dos correios. Um amigo meu tem um desses (que ele usa bravamente para transportar nobres e importantes cervejas) e um dia vou pedir emprestado e tirar o molde pra fazer uma bolsa do formato “malote correios” pra mim. Teve uma época que eu quis aquela camisa amarela dos carteiros, mas passou. Afinal, aonde eu iria usar ?

Hoje é difícil encontrar correspondentes que sejam desapegados da internet e apegados aos correios. Eu mesma só conheço a Dricalinda. Às vezes eu até me aproveito de algumas situações pra exercer esse meu lado a moda antiga. Uma amiga minha esqueceu a carteira durante a viagem dela e eu mandei por correio, com uma cartinha dentro. Outra amiga precisa (leram né, “precisa”) de um show que eu tenho em DVD. Vou me oferecer pra mandar por correio (e de quebra ganhar a escrita de uma carta), se ela não me achar esquisita demais. Ou pensando bem, se me achar, melhor ainda.