quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Somos todos consumidores e consumíveis

Você deseja porque sente que se tiver, terá mais do que o produto, terá o que ele representa. Afinal, tudo pode ser vendido. Todas aquelas palavras abstratas (ou intangíveis como diria o marketing) pode ser vendido: Liberdade, amor, importância, consideração. É só olhar campanhas institucionais de qualquer marca. Possuindo você pode ser mais feliz ou mais legal ? Pura merda. Vai ser a mesma pessoas de antes. Só alguns R$ mais pobre. Essa é uma das técnicas. Manter as pessoas sempre desejosas, infelizes....achando que se tiverem isso e aquilo vão estar em um degrau a mais.

E como a vida anda cada vez mais vazia, acaba-se sempre conseguindo. Na fragilidade de emoções tão difíceis de se conviver vira-se presa fácil. O homem é um ser ambíguo, vitima e réu ao mesmo tempo. Ao ver uma Cristina Aguilhera chacoalhando em qualquer clip acelerado deseja-se ter o que ela tem: poder, dinheiro, sucesso. Óbvio, mas o desejo vai além disso: deseja-se o que ela representa, a juventude, a beleza, a admiração que ela obtém (de fãs acéfalos, pode ser uma parte da verdade).

Ter coisas. Fazer e pagar contas. Aparência. Isso engana, mas não salva ninguém do vazio e da ignorância. Apenas é uma forma conivente de se viver. Conivente com o que a sociedade, teus pais, teus vizinhos e teus amigos esperam de você. É apenas concordar sem questionamento com tudo o que lhe chega aos ouvidos, olhos, boca, nariz e sentimentos. Marcas, não produtos, pra você disfarçar e ser quem você não é. “Cultura” da forma que se apresenta, reality shows interativos, programas de auditório, novelas da “vida como ela é”... só servem induzir uma necessidade de “integração”, de saber qual é o “esquema”, uma forma de controle para garantir que até a conversa de bar seja do Big Brother X, a novela Y. Ou você sabe do que se trata ou tenha o que falar. O triste é que mesmo que você veja a “realidade” você olha para os lados e PERCEBE QUE TODO O MUNDO ESTÁ DANÇANDO A MESMA MÚSICA !

Não compre. E também não assista. Com certeza é indispensável a sua vida. Essa vida que você nem sente mais. Que está além da TV, do sofá e das suas paredes. Além da sua solidão. Da sua angústia. Das suas dúvidas. Aliás, dúvidar é muito mais autêntico hoje do que a certeza.

Não ter bens é um sinal de resistência. É pra quem pensa. E pensar, nos dias de hoje, é pra quem sabe que nem todos os dias são ensolarados.

Um comentário:

Unknown disse...

adorei o texto, adorei todos na verdade!
me lembra de sempre vir aqui acompanhar!
beeeijo