Você não sente fome quando o espírito se contrai. Aquilo tudo, aquela intensidade de vida acumulada. Estar na estrada correndo e ultrapassando até encontrar o vácuo na direção contrária e sentir urgência da fome.
Se tornar na aparência sem ser na essência. Continuamente desejar sem ser satisfeita. Sei que cansei até dos meus vícios. Ordinários e banais. Cansei de estar entre aquela gente comum até demais...
Cada coisa em sí é imperecível, ao mesmo tempo que em nossas mãos todas as coisas tornam-se nada.
Longe de casa há tanto tempo, decidi me afastar para fazer um acampamento interno. Me afastar da vida que eu tinha vergonha de estar vivendo. Tentar entender aquela dor espessa que invade a alma e transborda tudo o que deve ser jogado fora.
Aí então, assentar. Esperar que com a sedimentação venha um espaço interno tão radiante e luminoso que seja possível alcançar o centro. Centralizar. Ser o que se é.

Nenhum comentário:
Postar um comentário