Um dia ainda vamos sentir falta de quando existiam brigas entre manos e emos.
Assim como sentíamos falta de quando os meninos de rua cheiravam cola e não existia o crack dominando as ruas.
As brigas hoje são feitas por bytes entre trolls e fakes. Nada mais óbvio, para um geração engessada que se expressa por 140 caracteres e hashtags de ordem. Uma geração de 'vedores', e não mais de leitores. Vedores que ''vêem' as manchetes e não lêem as notícias. Que compartilham imagens lindas com frases a fudê porque é o que dá audiência.
Muitos assumem as expressões com o sustenido na frente pra ir direto ao ponto. #ficadica
O ponto. Que ponto?
Logo não teremos mais grafologias. Examinamos o jeito dos dedos nos teclados, os espaços e reticências.
Se no mundo real o véu das ilusões deixa a nossa realidade embaçada, na internet que a comunicação não verbal não tem como ser analisada, estamos todos em rede, ansiosos para publicar ao alcance de todos coisas sobre nós mesmos que componham uma 'imagem certa', de acordo com o que as nossas projeções querem que façamos.
As verdades internas não são nem investigadas, porque estamos todos vivendo um rascunho das nossas vidas, esfarelando nossas projeções em bytes a espera de aprovação, aplauso, audiência. A irrelevância do agora.
E somos adultos. Crescemos no meio analógico e só entramos em contato com o ambiente digital no final da nossa adolescência. Somos on e off ao mesmo tempo, sem ser nada de concreto pra nós mesmos.
Um pouco de amargura digital pra todos vocês.
Nenhum comentário:
Postar um comentário