"As árvores jovens têm a sua beleza. Mas, sendo jovens, não têm estórias
para contar. Não se pode assentar à sua sombra, suas copas oferecem
pouco lugar para os pássaros e seus galhos não são fortes o bastante
para que neles se amarrem balanços. "Olhe estas velhas árvores. Quanto
mais velhas mais amigas ..." - dizia Bilac. Isso, isso mesmo. As árvores
são amigas. Estão sempre fielmente no mesmo lugar, à espera. E se não
comparecermos, elas continuarão lá, do mesmo jeito. E sem nada dizer. E
jamais se vingam. É só olharmos para elas com a cabeça vazia de
pensamentos para sermos possuídos por uma imensa tranquilidade."
Mais ainda: “As árvores sabem que a única razão da sua vida é viver.
Vivem para viver. Viver é bom. Raízes mergulhadas na terra, não fazem
planos de viagem. Estão felizes onde estão. Enfrentam seca e chuva,
noite e dia, frio e calor, com silenciosa tranquilidade, sem acusar, sem
lamentar. E morrem também tranquilas, sem medo. Ah! Como as pessoas
seriam mais belas e felizes se fossem como as árvores!” Olhando para as árvores, tive por um momento a ideia de que Deus é uma
árvore em cuja sombra nós, crianças, brincamos e descansamos.
Pura generosidade sem memória..,
Rubem
Alves- O Amor que Acendia a Lua

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