A montanha era gigantesca. Solene,
muito bem centrada e avizinhada a uma cadeia de montanhas menores. Avançar em
seus degraus de prata era um confronto consigo mesmo: vencer o peso do
próprio corpo, vencer as pedras gigantes que se interpunham no caminho,
vencer as raízes desossadas das árvores que eram testemunhas ajudantes
daquele esforço colossal.A sombra volúvel que a montanha proporcionava era instigante. Mudando a direção de sua projeção conforme a rotação intermitente do sol, nuances que se esvaem e têm sua forma alterada. Aquela sombra gigantesca era ampliada proporcionalmente a altitude da montanha. Ajudava a expandir o pensamento sem estreitá-lo em uma forma fixa. Ajudava o pensamento a caminhar por onde não havia formas pensamentos, o deserto do nada. Quem a contemplava com serenidade, encontrava lá um terreno psíquico muito fértil. Daqueles que qualquer semente jogada logo arrebentava em broto na escuridão.
Aquela sombra instável desencaixava todas as formas pensamento e as virava do avesso. O caminhante no cume da montanha banhava sua alma com os raios do mais puro sol, e projetava o brilho nos subterrâneos da sombra. Construía túneis como um rato, fazendo conexões com os canais de luz que irrigavam toda aquela penumbra, interligando todos os aspectos que por hora estejam desagregados, oferecendo um padrão muito firme de sustentação a todos eles.
Adentrar aquela penumbra era o verdadeiro desafio do caminhante. Porque a montanha era imóvel e imutável, mas a sombra se expandia o tempo todo, e somava-se as sombras das outras montanhas ao redor. Achar a sedimentação interna dentro aquela penumbra era achar a centralização da montanha. Tudo está centrado dentro. É andar nos vales, nos precipícios e transpor toda a escuridão com o farol da alma. Ir pro deserto do pensamento e somente ser. E viver para viver ainda mais. Aprofundar este estado da existência torna o vínculo com a natureza uma fusão com a divina essência da vida. De toda a vida que pulsa eu seus ciclos ao redor.
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